terça-feira, 19 de dezembro de 2017

ARVORES URBANAS



CONHEÇA A TIPUANA


Alessandra Teixeira da Silva (*)
Engenheira Florestal


 Botânica: De acordo com a classificação botânica (ordenação das plantas em categorias hierárquicas), a tipuana é uma espécie arbórea conhecida cientificamente por Tipuana tipu (Benth) Kuntze, pertence a família Fabaceae que por sua vez abrange cerca de 650 gêneros e 18.000 espécies agrupadas em três sub-famílias. Tanto o gênero (Tipuana) quanto o epíteto específico (tipu) provêm de nomes populares indígenas. Apresenta como sinonímia botânica (sinônimo) os nomes Tipuana speciosa Benth. e Machaerum tipu Benth.Além de ser popularmente chamada de tipuana, também é conhecida por amendoim-acácia.

Origem: É uma espécie nativa da Colômbia, Paraguai, Uruguai, Argentina e região central do Brasil, introduzida em diversos países como ornamental. No Brasil, esta espécie se tornou tão freqüente que é encontrada em formações secundárias da matas mesófilas semidecíduas.
           
Aspectos gerais: é uma espécie de rápido crescimento, inicialmente recomenda-se a poda mais alta para que seus ramos não encostem do chão, necessita de grande espaço para desenvolver. A tipuana apresenta, em sua arquitetura, a formação de galhos que crescem na horizontalidade. Por apresentar incidência normal de epífitas sobre os tronco e galhos, baixa ocorrência de galhos secos, alta densidade de brotos foliares jovens nas extremidades dos ramos e perfeita floração na primavera, deve estar longe de iniciar o processo de decadência vegetativa. Plantadas em canteiros imersos em calçadas, suas raízes possuem crescimento em tropismo negativo a fim de captar água ao nível do lençol freático.

Utilização em Paisagismo: Devido à sua magnífica arquitetura e exotismo, é considerada uma bela árvore, podendo ser utilizada em logradouros públicos, parques e amplos canteiros urbanos. Não se recomenda plantar debaixo da fiação e em calçadas estreitas. Floresce de setembro a dezembro, com uma bela floração amarela.
A “tipuana”, segundo historiadores, foi plantada em 1908 no Jardim Municipal (hoje Praça Dr. Augusto Silva) por Bernardino Maceira, que juntamente com outras espécies arbóreas, foram introduzidas no jardim e na arborização da cidade.
Por ser um exemplar exuberante na praça Dr. Augusto Silva, é considerada uma árvore símbolo, pois se tornou uma atração para os lavrenses e visitantes.

Fonte:  (*) SILVA, A. T. : Evolução Histórico-Cultural e Paisagística das Praças Dr. Augusto Silva e Leonardo Venerando , Lavras, MG. 2006. 238p. Tese (Doutorado), Universidade Federal de Lavras/UFLA.


Tipuana florida da Praça Dr. Augusto Silva. Foto: Alessandra Teixeira

sábado, 26 de março de 2016

ÁRVORES URBANAS


CONHEÇA OS IPÊS
Alessandra Teixeira Silva
Engenheira Florestal
Foto: Alessandra Teixeira

Botânica: De acordo com a classificação botânica, os ipês pertencem à família Bignoniaceae, família esta constituída por cerca de 100 gêneros e 800 espécies pantropicais, predominantemente neotropicais e, poucas, distribuídas nas regiões temperadas. O Brasil é considerado importante centro de dispersão. São plantas lenhosas, além das formas arbóreas, ocorrem também as arbustivas ou subarbustivas. Os ipês pertencem ao gênero Tabebuia(a palavra  “gênero”  é definida como uma categoria formada pela reunião de espécies semelhantes, considerando tanto os aspectos genéticos quanto os ecológicos). Podemos citar diversas espécies deste gênero como: Tabebuia alba ( ipê amarelo); Tabebuia aurea ( Ipê amarelo do cerrado); Tabebuia avellanedae

 ( ipê-roxo);  Tabebuia cassinoides (caixeta); Tabebuia chrysotricha ( ipê-amarelo cascudo); Tabebuia dura ( ipê-branco-do-brejo); Tabebuia heptaphylla ( Ipê-roxo ou ipê rosa ); Tabebuia impetiginosa ( ipê-roxo); Tabebuia roseo-alba (ipê-branco); Tabebuia serratifolia (pau-d’arco-amarelo); Tabebuia umbellata (ipê-amarelo do brejo); Tabebuia vellosoi( ipê-tabaco).
Aspectos gerais: É na verdade um complexo de cerca de dez espécies com características mais ou menos semelhantes, com flores brancas, amarelas, roxas ou rosas. São lindas árvores que embelezam e promovem um colorido no final do inverno. Existe uma crença popular de que quando o ipê-amarelo floresce não ocorrerá mais geada. De um modo geral, os ipês atingem uma altura de 25 metros, com exceção aos ipês brancos que possuem um porte menor. Normalmente apresentam a madeira muito pesada e moderadamente pesada, muito dura ao corte, de alta resistência mecânica e de longa durabilidade. Quanto aos aspectos ecológicos, os ipês normalmente são considerados espécies heliófitas (planta adaptada ao crescimento em ambiente aberto ou exposto à luz direta) e decídua (que perde as folhas em determinada época do ano). A entrecasca do ipê-amarelo possui propriedades terapêuticas como adstringente usada no tratamento de garganta e estomatites. É também usada como diurético. O ipê-amarelo possui flores melíferas. Infelizmente, a espécie é considerada vulnerável quanto à ameaça de extinção. Possui tendência em crescer reto e sem bifurcações quando plantado em reflorestamento misto, pois é espécie monopodial.


Sementes/mudas: Os frutos devem ser coletados antes da dispersão, para evitar a perda de sementes. A germinação ocorre após 30 dias e apresenta um índice de germinação em geral de 80%. A muda atinge cerca de 30 cm em 9 meses, apresentando tolerância ao sol 3 semanas após a germinação. Dependendo da espécie, um quilograma de semente pode conter aproximadamente 80.000 unidades. O desenvolvimento das mudas no campo é variável, chegam a atingir em 2 anos, uma altura que pode aproximar entre 2,50 a 3,00 metros.
Foto: Alessandra Teixeira

Paisagismo e arborização urbana: As árvores desta espécie proporcionam, em curto período de tempo, um belo espetáculo com sua magnífica floração na arborização de ruas em cidades brasileiras. Não se recomenda plantar em calçadas estreitas, seu plantio deve ser de preferência em locais amplos (praças, parques públicos e condomínios residenciais). No planejamento de jardins, é preciso não esquecer que sua floração dura pouco tempo, e seu uso como atração principal na primavera deve ter boa combinação com as outras plantas Ao ser utilizado em arborização urbana, o ipê amarelo requer podas de condução com freqüencia mediana. O ipê também é indicado para a recomposição de matas ciliares. É considerada uma árvore símbolo e também é protegida por Lei. Plante um ipê!!!
Foto: Alessandra Teixeira. Local: Universidade Federal de Lavras(UFLA), 2016.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Lavras : O início de uma grande história......



Foto: Coletânia Renato Libeck



Alessandra Teixeira da Silva (*)
Engª Florestal
Membro da Academia Lavrense de Letras

O município de Lavras, MG, situado no Sul de Minas Gerais, foi fundado em 1729 (data presumível), transformado em município em 13 de outubro de 1831, desenvolvendo-se em torno da capela de Santana, hoje igreja do Rosário.  Em 20 de julho de 1868, obteve a emancipação política e administrativa e em 8 de outubro do mesmo ano foi transformada em comarca.
Segundo relatos de Firmino Costa, grande educador que residiu em Lavras, o nome de "Lavras do Funil" deve-se ao fato de ter existido aqui, grandes quantidades de ouro e pedras preciosas. O nome de "Lavras" vem de lavrar em busca do metal precioso, o que, segundo ele, foi a principal causa do desenvolvimento de Lavras. Quanto ao Funil, é devido ao fato de existir um estrangulamento no rio Grande, onde foi construída uma ponte, a ponte do Funil, que hoje está submersa nas águas do reservatório da usina hidrelétrica do Funil.
Os primeiros povoadores foram os paulistas Pedro da Silva Miranda, Francisco Bueno da Fonseca e seu filho Diogo Bueno da Fonseca, Salvador Jorge Bueno e Pascoal Leite Paes. Esses, percebendo a necessidade de edificar no povoado uma capela com a invocação de Sant’Anna, pediram licença ao arcebispo de Mariana, Frei Manuel da Cruz. Essa licença foi concedida em 18 de setembro de 1751 e a inauguração da capela ocorreu no ano de 1754, semiterminada e benta pelo padre Manuel Martins, tendo sido concluída em 1810, pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Em 1904, com a construção de uma nova matriz de Sant’Anna, a velha matriz passou  a  denominar-se Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
            Além de inúmeros anônimos que ajudaram a edificar essa igreja, segundo consta, artistas de renome, como o mestre Ataíde e o Aleijadinho, deram suas contribuições para ornamentá-la: o primeiro na pintura do teto e o segundo com trabalhos em entalhe e pedra.
Segundo a visão do Dr. Samuel Rhea Gammon, o município de Lavras era, no ano de 1892, uma velha cidade, datando dos dias coloniais e, como o seu nome indica, tinha sido cenário de grande mineração, na busca do ouro que enriquecia a coroa de Portugal. Pode-se dizer que só havia uma rua, que se estendia em ziguezague pela colina, com cerca de quatro quilômetros de extensão, terminando no Alto do Cruzeiro. As ruas eram poeirentas ou lamacentas e ainda rasgadas pelas rodas dos pesados carros de boi.
As casas, em geral, eram de construção simples, mas sempre pintadas de cores variegadas. Na praça central, grande e deserta, onde se erguia a Igreja Matriz, havia certo número de sobrados, onde vivia a elite. Essas casas, em estilo colonial, eram bem mobiliadas e adornadas com pinturas e revestimento caprichoso, refletindo o luxo e a riqueza de dias prósperos. Nos arredores da cidade, porém, se amontoavam os casebres cobertos de capim, atestando a maior pobreza. Eram assim as cidades antigas do interior de Minas. Hoje, as ruas foram endireitadas, pavimentadas e dotadas de passeios. As praças se transformaram em parques e jardins.
Lavras começou a crescer com o declínio da exploração aurífera na região da faixa de terra entre os rios Grandes, Capivari e Mortes, quando se iniciou o processo de migração para o arraial, com a vinda das famílias de Antônio de Souza, em 1743; do capitão Luis de Almeida Silva; de Brás da Silva Lopes, em 1744; João Álvares de Paiva, em 1746; João de Campos, em 1747; José da Silva, Manoel Gonçalves Pereira, em 1748. Mais tarde, outras famílias apareceram para gravar seus nomes nos pilares do progresso de Lavras. Assim vieram; Silva Leme, Ferreira, Almeida Pedroso, Lopes Vieira, Gomes Salgado, Faria Neves, Ferreira de Araújo, Costa Valle, Silva, Paiva, Claro, Bastos, Prado, Morais, Carvalho, Pires, Gonçalves, Vieira, Souza, Marques, Moinho, Branco e outras.
O jornal carioca Imprensa Industrial publicou em 25/06/1877 uma curiosa matéria sob o título “Justiça de capitães mores”, onde narra um fato passado em nossa cidade, mais precisamente na Praça Municipal.
“Há em Lavras, na província de Minas, uma praça de grandes dimensões, hoje toda arborizada e gramada, a qual se liga uma curiosa história passada não há muitos anos e que comprova até que ponto subia a autoridade despótica dos nossos antigos capitães mores.
Alguns moradores do lugar, entendendo que podiam a seu bel-prazer diminuir às dimensões da praça, traçaram dentro dela uma rua e começaram a edificar casas sem outra licença que não fosse a de suas vontades.
Com razão representaram dois capitães mores a fazendeiros das circunvizinhanças à Câmara Municipal de São João Del Rey contra o esbulho do logradouro público, a Câmara, porém, pensando de modo diverso dos representantes, achou que os esbulhadores faziam bem em edificar na praça pública. Vendo-se por tal modo desatendidos, os dois ponteados, levados mais pelo desejo da desafronta que pela manutenção do direito, resolveram arrasar às casas em construção, anunciando previamente, por bandos, que em tal dia executariam a sentença que em seus tribunais de mandões havia decretado.
Correram os edificadores a um terceiro capitão mor, um certo Januário Garcia, conhecido mais tarde pela denominação de “Sete Orelhas”, implorando-lhe o valimento e proteção. Januário Garcia, tomando uma pena, escreveu a um dos que ameaçavam derrubar às casas dos invasores, o seguinte bilhete:
“Primo, amigo e senhor. Constando-me que V. Mercê quer arrancar às casas construídas na praça, vou rogar-lhe que tal não faça, quando não. Assinado: Januário Garcia.”
Imediatamente respondeu-lhe o outro:
“Primo, amigo e senhor. É verdade que queremos arrasar às casas da praça, por isso vou rogar-lhe que não se intrometa nisso, quando não. Assinado: Matheus Luiz.”
Januário Garcia, ou temer-se do primo, ou para não perder-lhe a amizade por tão pouco, ficou-se na ameaça vaga e indefinida do “quando não”; outro tanto, porém aconteceu com Matheus Luiz e o seu companheiro de pleito, pois na noite aprazada apresentaram-se ambos à frente de mais de cem cativos com carros de boi e instrumentos de demolição e puseram por obra a ameaça.
Não contentes de arrasarem às casas, mandaram carrear todo o material e despeja-lo a uma légua distante, ficando ambos os capitães mores de pé no lugar dos destroços com um troço de negros armados de foice até o amanhecer do dia, bradando ambos com todas `as forças dos pulmões:
Haja quem se oponha?!
Despertos os moradores por tais brados e vendo o arrasamento praticado durante à noite, tomaram o partido de se deixarem ficar trancados até os dois mandões se retirarem. Tentaram mais tarde alguns dos prejudicados processar os demolidores, mas a primeira ameaça dos capitães mores de mandá-los surrar, retiraram as suas queixas e a praça ficou desde então livre de novas invasões.”

O município de Lavras teve um grande desenvolvimento na década compreendida entre os anos de 1907 e 1917, quando os lavrenses investiram na cidade, promovendo melhorias de grande expressão para a época. Em 21 de outubro de 1911 foi inaugurada a linha de bonde na cidade, por iniciativa do Dr. Álvaro Augusto de Andrade Botelho, um grande passo no progresso do município. Acredita-se, então, que Lavras se desenvolveu em conseqüência da agricultura e não da mineração, como afirmava o professor Firmino Costa.
No final da década de 1910, o povo de Lavras viu, pela primeira vez, um automóvel; daí para frente, o progresso se acelerou. Assim, falando de perto aos corações daqueles que realmente amam esta cidade de Lavras, primitivamente denominada Campos de Santana das Lavras do Funil. O lavrense Sr. Paulo Oliveira Alves escreveu o seguinte poema, no ano de 1968:


                      NASCEU LAVRAS

   Cavalgando este espigão em busca d’ouro,
   Certo dia, por aqui alguém parou.
   Uma aldeia mui pequena foi surgindo,
   Foi crescendo e grande urbe se tornou.

   Sacrifício, sol ardente, escravatura
   Com bateia, ferramenta e animais;
   Muitos botes Rio Grande navegando,
   À procura do mais nobre dos metais.

   E o cadinho foi fervendo... fervilhando,
   Apurando mente, alma, coração.
   E o lavrense trabalhando, construindo,
   Fez de Lavras, um primor, nesta nação.
   Vamos gente! Caminhar para o futuro
   Com nobreza, com vontade de vencer!
   Esquecendo velhas faltas que destroem,
   Grande chance, sempre temos, pra crescer................

Fonte: (*) SILVA, A.T.: Evolução Histórico-Cultural e Paisagística das Praças Dr. Augusto Silva e Leonardo Venerando , Lavras, MG. 2006. 238p. Tese (Doutorado), Universidade Federal de Lavras/UFLA; Informações pessoais do historiador Eduardo Cicarelli.

sábado, 19 de março de 2016